Piscicultura catarinense celebra alta de 32% nas exportações, mas produtores de Presidente Castelo Branco enfrentam alta nos custos
PRESIDENTE CASTELO BRANCO (SC) – O setor de piscicultura de Santa Catarina vive um momento de forte expansão no mercado internacional, mas de atenção redobrada da porteira para dentro. De acordo com o balanço do Observatório Agro Catarinense da Epagri, o estado atingiu a marca histórica de 50 mil toneladas de tilápia produzidas, consolidando a espécie como o principal motor do setor aquático estadual. Nacionalmente, o otimismo é impulsionado por um expressivo crescimento de 32% nas exportações do pescado em setembro de 2026.
Apesar do forte ritmo de embarques externos que alivia os estoques das indústrias, os produtores locais e os polos tradicionais de Meio-Oeste lidam com margens de lucro cada vez mais espremidas. O principal fator de preocupação é a elevação contínua nos custos de produção, puxada pela valorização do milho e do farelo de soja, que encarecem diretamente a ração. Dados do Cepea/Esalq-USP revelam que o poder de compra do piscicultor em relação aos insumos caiu pelo terceiro mês consecutivo.
Reflexos no interior catarinense
Em municípios como Presidente Castelo Branco, onde a atividade se destaca pela agricultura familiar e pelo turismo rural — com forte representação de cooperativas, produtores integrados e iniciativas consolidadas como a Associação Castellense de Piscicultores (ACAPI) —, o cenário exige manejo técnico impecável. Com gastos de energia elétrica elevados para a oxigenação e custos logísticos em alta para a manutenção dos viveiros, a eficiência alimentar passou a ser a única saída para proteger a rentabilidade e manter o abastecimento do comércio e dos pesque-pagues regionais.
Especialistas da Epagri reforçam que o foco no momento deve ser o planejamento rigoroso da propriedade. O ganho de escala promovido pelas exportações ajuda a equilibrar a cadeia industrial catarinense, mas a sustentabilidade financeira do produtor no campo dependerá de como o mercado absorverá as oscilações dos grãos nos próximos meses


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